O que não dá para esquecer sobre as eleições

Venho recebendo pedidos para me manifestar sobre uma leitura astrológica da eleição. Confesso que estava pouco inclinada a fazer isso por uma diversidade de motivos. O mais evidente é que vejo colegas profissionais muito mais qualificados para fazer este tipo de análise. Também porque os astros estão dando seu recado há tempos. Não há motivos para se surpreender com os fatos. Contudo, não vou me furtar a dar um pitaquinho na forma de um extenso textão.

Imagens produzidas pelo Senado
Voltamos às urnas, enquanto os astros deixam no céu recados sobre a conjuntura (Marri Nogueira/Agência Senado)

Deixa eu começar pelo básico da Astrologia. Os signos e casas indicam a energia e o tema, mas quem faz a ação é o planeta. Então, analisar os planetas nos signos pode nos dar indicações das tendências gerais de movimentos pela frente. Cada planeta age de sua maneira específica no signo, energizando estes temas e emprestando suas ações a estes assuntos. Planetas lentos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão) permanecem mais tempo nos signos, e tendem a influenciar mais tempo – às vezes por gerações inteiras. Eles ajudam a entender grandes movimentos sociais. Com isso em mente, podemos tentar esquadrinhar o cenário eleitoral de 2018.

Quem acompanha Astrologia – mesmo que de longe – sabe que este ano astrológico é regido por Júpiter, atualmente transitando em Escorpião e preparando-se para voltar para a sua casa de Sagitário. Júpiter aumenta tudo o que toca. Ao tocar Escorpião, ele deixou em evidência temas como sexo, poder, morte, dinheiro dos outros. Nunca vou me esquecer do fato de que no mesmo dia que Júpiter entrou no signo do escorpião estourou o escândalo sexual que levou ao movimento #MeToo. Abuso sexual tem tudo a ver com Escorpião.

Repito que Júpiter amplifica tudo o que toca. Poder também é um atributo do signo de Plutão. A sede de poder fica aumentada pela regência de Júpiter no ano. Por que o espanto com a voracidade dos que disputam o poder nesta eleição? Ou qual a surpresa de que seus partidários sejam vocais, atuantes e militantes? Escorpião atua nas sombras, então tem segredo sexual e financeiro (ou ambos) pululando do armário todos os dias.

Temos também em 2018 a co-regência de Saturno, o planeta que está num ciclo maior de regência de 35 anos. Saturno, regente da casa 10 e de Capricórnio, tem tudo a ver com poder, política, instituição e imagem social. Ele é conservador, Senhor do Carma, protetor da ética, praticamente o fundador do patriarcado. Teoricamente, Saturno e Júpiter atuando juntos poderiam garantir a restrição dos excessos. Eu escrevi “poderiam” porque não é o que estamos observando, certo?

O passado retorna como o novo

Júpiter nos incentiva a abraçar novas oportunidades, ir além e para longe, ao mesmo tempo que Saturno nos aconselha a ter mais cuidado e a ponderar sobre os assuntos. Saturno não é muito fã de novidade; ele tem grande apreço pelo tradicional e pelo conhecido. Por isso, tudo que hoje se apresenta como novo e diferente tem este ar tão conhecido e familiar. O passado retorna como novidade, mas nem tenta disfarçar.

Sabemos que o lado menos evoluído de Júpiter se apresenta como arrogante e otimista ao extremo. Se este Júpiter for combinado ao lado menos evoluído de Saturno (conservador e autoritário, refratário ao novo), temos uma combinação incapaz de ser permeada por um mínimo de razão e compaixão. Chega a ser contraditório para Júpiter, o planeta do conhecimento superior e das filosofias humanitárias e também para Saturno, pai benfeitor que recompensa o esforço árduo de seus filhos.

Saturno entrou em Capricórnio em dezembro de 2017 e fica em casa até 2020, quando vai a Aquário, o signo das revoluções sociais, das rebeliões. Quem pensa que Saturno está tocando o terror hoje e vai melhorar depois de 2020 provavelmente não faz ideia do que ele pode fazer quando entrar no signo do aguadeiro. Mas antes disso ele continua em Capricórnio, e acompanhado de um colega pequeno mas poderoso: Plutão.

Desde 2008, Plutão está tocando o terror em Capricórnio, expondo as entranhas do poder, das instituições, das grandes corporações, das grandes finanças, do big business. Não faz tanto tempo assim que tivemos os movimentos #OccupyWallStreet, que se espalharam pelo mundo. Bancos centenários quebraram, crises econômicas explodiram, as instituições tradicionais ficaram por um fio, o patriarcado se viu exposto e questionado. A onda de contra-ataque aos avanços sociais foi sendo gestada lentamente, nas sombras onde Plutão vive, para ganhar fôlego e explodir em conservadorismo. A reação aos conservadores também começa quieta para ganhar as ruas, como no movimento #EleNão.

Conservadorismo em evidência

A onda explícita de conservadorismo de costumes (racismo, homofobia, xenofobia, exclusão generalizada de tudo que é diferente) pode ser atribuída a esta aproximação Saturno-Plutão em Capricórnio, amplificada por Júpiter em Escorpião no seu ano de regência. Aliás, o movimento #EleNão para mim é uma resposta muito explícita a Saturno (o patriarcado, o conservadorismo) e a Plutão (poder nas sombras, poder político, poder real). Mas esta dupla continuará lado a lado por muitos anos. Eles entram em conjunção em 2020, ano importante para a política, porque sinaliza uma grande mudança em Capricórnio. Um alinhamento de cinco planetas no signo da política e das instituições tradicionais não é qualquer coisa.

Saturno entra em Aquário em 2020 e lá fica até 2023, por pouco não encontrando Plutão, que entra neste signo em 2024. A onda de conservadorismo deve continuar por conta deste signo. “Mas Aquário não é o signo do futuro, da liberdade?”, perguntam. Gente, Aquário era regido por Saturno até o fim do século 19. Lamento informar, mas ele também tem uma veia conservadora. Mas também é de lá que vem a possível onda revolucionária, capaz de lutar pelas liberdades individuais que porventura tiverem sido retiradas, suprimidas ou oprimidas.

Na verdade, o que ocorre é que Saturno não tolera falsidades e fraude. Ele prima pela ética e a verdade. Mas como ele é o signo do homem velho e opressor, ele também se acha o chefe do poder e o dono da verdade. Literalmente, em Saturno, a verdade é o que ele determina ser a verdade. E, como pai terrível e autoritário, ele oprime e pune quem falta com a (sua) verdade ou quem o contesta. Na mitologia, foi Júpiter que deu fim ao reinado de horror de Saturno, seu próprio pai.

Ajuda muito para esta onda conservadora a entrada de Netuno em Peixes desde 2012. O planeta dos mártires está na sua casa, o signo dos sonhadores. A realidade é ilusória, fugaz e francamente embaçada. Netuno em Peixes está ligado a fake news, aos anúncios de fim do mundo a cada três ou seis meses. Quem quer, consegue viver na ilusão e chamá-la de verdade. Nas brincadeiras de internet, muita gente diz que o mundo acabou em 2012 (com a profecia maia) e estamos vivendo uma espécie de Universo Inverso ou Mundo Bizarro desde então. Confesso que não deixa de ter uma ressonância no que se vê por aí.

E o choque de realidade está por vir

Para muitas pessoas, o que precisa é um choque, uma ruptura tremenda capaz de dar fim a estas estruturas e recomeçar do zero. Felizmente, a Astrologia tem uma resposta para isso, e ela se chama Urano. Muitos astrólogos chamam Urano de O Grande Despertador da Consciência. Como regente de Aquário, o signo dos grupos sociais, Urano desperta a consciência social. Individualmente, para os “adormecidos”, este planeta pode causar grandes rupturas, destruindo casamentos, rompendo relações de trabalho e de família em nome da evolução. Com Urano, queiramos ou não, somos obrigados a abandonar o velho, porque ele ruiu. Não temos como voltar a morar num prédio transformado em escombros.

Em maio, Urano entrou em Touro, modificando o modo como trabalhamos, o modo de ganhar dinheiro, de tratar a terra, de tratar da Terra, de cuidar dos rebanhos e de plantar alimentos. Ele fica até 2026 agindo nestas áreas. A estabilidade econômica e as finanças vão mudar. Estamos vendo as relações de trabalho se modificar, o emprego revolucionar. Os próprios empresários reclamam que o modelo de emprego tradicional está desgastado. Os trabalhadores também se modificam, e a chamada Uberização pode ser apenas uma transição para o novo modelo de trabalho.

Os bancos tradicionais estão ruindo, as bolsas quebrando. Aliás, a configuração astrológica é muito semelhante à de 1929, quando houve a Quebra da Bolsa de Nova York. Quem pensaria em cartões de crédito sem banco há dez anos? Como Urano é o “santo padroeiro” das tecnologias de ponta, podemos esperar que estas novas relações de trabalho e dinheiro se deem pelos computadores e celulares.

Os novos paradigmas trazidos por Urano em Touro sinalizam uma mudança muito maior na sociedade. Pois Touro é o signo dos nossos valores, além do nosso dinheiro. Então certamente todos nós vamos repensar o que tem valor de verdade ou não. Nosso próprio valor pessoal vai ser questionado por nós mesmos. Um detalhe não menos importante é que este Urano em Touro vai atingir muita gente com posicionamentos em Escorpião, a quem fará oposição. Como pessoas entre 30 e 65 anos estão entre aquelas que tem planetas em Escorpião, prevejo que a mudança será pessoal para muita, muita gente mesmo.

Quem está acompanhando o texto até agora pode reclamar: “Pô, mas eu queria ler sobre essa eleição!”. Desculpe frustrar quem pensou que eu fosse dizer quem sairá vitorioso das urnas. Astrologia, na minha opinião, não é para isso. E o texto discorreu, sim, sobre a eleição e sobre seu contexto astrológico. Sempre preguei que os astros não determinam o que vai acontecer. Somos livres para tomar nossas decisões.

No começo do post, eu disse que não queria escrever sobre as eleições, porque não traria nenhuma novidade. Também não vejo motivos para se surpreender com os acontecimentos. As tendências dos astros estão postas aí faz tempo e elas fornecem respostas a tudo que anda acontecendo. Basta ler sobre Júpiter em Escorpião, Saturno em Capricórnio, Urano em Touro, Plutão em Capricórnio… Mas o comportamento humano, sim, este pode nos surpreender. Também não tem respostas simples para muitas das coisas que estamos testemunhando. Uma eleição sempre é complexa.

Questões complexas jamais podem ser respondidas com respostas simples. Daí o textão.

Boa eleição a todos.

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Última chamada para o sucesso

Você já ouviu falar do Ano Internacional da Astronomia? Ou o Ano dos Idosos? E o Ano da Biodiversidade? Desde 1957, por decisão da Assembleia Geral da ONU, a Unesco implementa, dentre os países que aderem às campanhas, o chamado Ano Internacional. Em 2018, é o Ano Internacional da Mulher Rural. Já 2019 será a vez das Línguas Indígenas e também da Tabela Periódica dos Elementos. Mas para a Astrologia, 2018 bem que poderia ser o Ano Internacional da Cooperação de Júpiter, planeta de abundância, sorte e oportunidade, e de Plutão, planeta de energia das profundezas, do inconsciente e da intensidade. Esta assinatura se torna exata mais uma vez nesta quarta-feira, e pela última vez. Vamos ver isso.

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A clássica imagem do alpinista no topo da montanha sintetiza como podemos nos sentir em setembro (Pixabay)

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Retrógrados de 2018 vêm para causar

Ando dizendo há tempos que 2018 não é um ano qualquer. Regido por Júpiter, este ano é um daqueles raros em que TODOS os planetas que podem vão andar para trás. Sabem o que isso significa? Faxina geral na nossa vida. Deu para entender? São oito planetas que podem ficar retrógrados, e eles vão nos fazer refletir muito. Portanto, é razoável esperar que alguns deles entrem em movimento retrógrado (ou Rx) ao mesmo tempo. É o que acontece agora mesmo. Além de recapitular o céu do momento, que tal ver o panorama para o resto do ano? Lápis e caneta na mão! Acho que vocês vão querer anotar isso…

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Andar para trás não é parar de andar, gente. Dá para aproveitar (Nevit Dilmen/CCO License)

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Cinco fatos para se olhar em 2018

Mais uma vez venho destacar fatos importantes para a Astrologia em 2018, desses que vão nos afetar a todos. “De novo?! Mas essa mulher só fala disso?” É que 2018 se encaminha para ser mesmo um ano tão rico em eventos astrológicos quanto parece ser em outras áreas, com Copa, eleições e todos os eventos programados. Então é bom prestarmos atenção a estes pontos. Para fazer uma destas listas que o pessoal tanto gosta, vou destacar seis importantes trânsitos astrológicos de 2018. Segura que é textão.

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Tempestade rosa em Júpiter captada pela sonda Juno. A imagem de fevereiro de 2018 foi processada pelos cientistas civis Matt Brealey e Gustavo B C (Nasa/JPL Caltec/MSSS/Matt Brealey/Gustavo B C)

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O começo do ano e o começo de nós

Todo mundo está com uma espumante na mão? É Ano Novo, gente! O ano novo astrológico começa hoje, às 13h15, quando o Sol entra em Áries e marca o Equinócio de Outono, no Hemisfério Sul, e o Equinócio de Primavera, no Hemisfério Norte. Agora, sim, o ano de Júpiter e todas as suas transformações e expansões começam verdadeiramente.

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Todo aquele gás, toda aquela energia e vontade estão em nós! (foto: Pixabay)

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O ano dos cachorrinhos

Horóscopo chinês não é muito a minha praia, mas gosto de marcar pelo menos o Ano-Novo lunar mais tradicional, porque ele sempre indica que o Ano-Novo zodiacal se aproxima. Em 2017, estivemos regidos pelo Galo de Fogo. Mas em 2018 teremos o ciclo do Cachorro de Terra. Logo de cara lembro-me dos cães (pequenos ou grandes) do tipo terrier – assim chamados por seu instinto de cavar a terra. Vamos ver o que o Ano do Cão nos reserva.

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Cartão de Ano-Novo mostra um pequinês com flores de cerejeira (Stockphoto)

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Saturno em Capricórnio e os signos

Ando meio obcecada com a entrada de Saturno em Capricórnio. Talvez seja porque este Saturno transita em casas importantes do meu mapa natal, e o mesmo deve acontecer com muita gente. O planeta, regente de Capricórnio, ficará três anos no signo – seu domicílio, sua casa. Ele passará brevemente por Aquário, mas ficará retrógrado e depois voltará para sua casa em Capricórnio antes de retomar seu curso direto e entrar definitivamente em Aquário a partir de 2020. Serão três anos de trânsito. Por isso, interrompo o post mais light de domingo para estas reflexões muito pesadas e saturninas. Como cada um de nós será afetado? Especificamente, como cada signo será afetado? Olha o textão.

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Mosaico de Saturno, com as últimas imagens da sonda Cassini-Huygens, em setembro de 2017 (NASA/JPL/ Caltech/Space Science Institute)

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