Para que serve essa Astrologia?

Semana passada, no aniversário do blog, respondi perguntas que chegaram até mim por diversos modos. Algumas delas, porém, merecem ser agrupadas para uma resposta mais detalhada. Falar sobre Astrologia em sempre é possível em quatro ou cinco linhas, por isso faço este post mais abrangente. Espero não fazer textão no meio da semana.

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Arte sobre uma das lâminas do Atlas Celeste do estudioso escocês Alexander Jamieson (1822)

As perguntas que mais me fascinam sempre são sobre Astrologia, o que ela é, o que ela faz e como usar. Fascinam porque são a chance de desfazer os mitos sobre esta atividade, que é rica, abrangente e principalmente útil. Para começo de conversa, não considero a Astrologia uma ciência como descrita no dicionário: “um corpo de conhecimentos sistematizados adquiridos via observação, identificação, pesquisa e explicação de determinadas categorias de fenômenos e fatos, e formulados metódica e racionalmente”. E tem também a filosofia: “conhecimento que, em constante interrogação de seu método, suas origens e seus fins, obedece a princípios válidos e rigorosos, almejando especialmente coerência interna e sistematicidade”.

Sempre repito que a Astrologia, como a conheço, não se enquadra no método científico, daí não poder ser qualificada como ciência. Mas o método científico não enquadra todos os saberes – o que não invalida estes saberes ditos não científicos por esta definição. Lembro-me de ter assistido a um documentário sobre Astronomia x Astrologia num destes canais de pseudo divulgação científica. Quatro astrólogos receberam a tarefa de interpretar um mapa astral de uma figura conhecida e de descrever essa pessoa. Evidentemente, foram quatro interpretações diferentes, acentuando aspectos como uma pessoa arrojada, ardente, muito carismática, charmosa e comunicativa, de pensamento profundamente arrojado, de família em evidência e necessidade de correr riscos. A vida pública e imagem social desta pessoa são importantes, graças à família. Ele aparece como um visionário ou um poeta, envolto em misticismo diante da sociedade.

O mapa era de John Fitzgerald Kennedy, 35º presidente americano.

As interpretações apenas demonstram a riqueza de possibilidades que o mapa traz. Como o próprio nome diz, o mapa natal de qualquer um abre os caminhos que a pessoa pode trilhar na sua vida. O astrólogo interpreta estes dados e aponta as rotas que a pessoa pode tomar: esta rota é mais fácil, esta outra é mais difícil, por aí vai. Mas quem decide para onde ir é a própria pessoa.

A melhor parte da Astrologia é mostrar onde somos bons, onde estão nossas forças e potencialidades. O astrólogo não pode ser responsabilizado por suas escolhas, porque ele normalmente pode apontar duas ou três. Durante muito tempo trabalhei com Astrologia Vocacional – que carreira será melhor na sua vida. Para pegar o exemplo de JFK, o Ascendente em Libra indica chance de trabalhar com lei ou política, reforçada pelo Saturno em Câncer na casa 10. A família Kennedy é toda formada de pessoas enfronhadas no poder público. Peixes na casa 6 também indica grande chance de trabalhar e se sacrificar pelos outros, em grandes instituições. Vejam o leque de possibilidades antes de perguntar: “Mas o mapa diz que ele ia ser presidente dos Estados Unidos?”.

Escolhas, opções, potencialidades: está tudo na sua mão

Algumas pessoas parecem pensar que o astrólogo pode dizer para ela o que devem fazer na vida ou que atitudes tomar em relação a algum tema específico. Isso não é verdade. Nenhum astrólogo digno do nome pode dizer aos outros o que fazer, ou muito menos o que vai acontecer em sua vida. A Astrologia pode indicar os caminhos, mas a decisão sempre é das pessoas.

Quando recebo um cliente ou mesmo quando faço um post para o blog, não tenho o poder, o direito ou a pretensão de dizer o que você deve fazer com seu dia ou com sua vida. Forneço orientações – gerais ou personalizadas – para as pessoas que me leem via internet ou que me procuram pessoalmente. Às vezes também é uma maneira de entreter ou satisfazer uma curiosidade. A pessoa tem a escolha na sua mão; eu só ofereço as opções, até mesmo a opção de me ignorar.

Mesmo os trânsitos ou a Revolução Solar são apenas indicações. Neste caso, a Astrologia funciona como um rio, e minha função é observar a corrente e indicar para onde elas levam. A pessoa pode escolher ficar na margem e esperar a corrente passar ou ir para outro rio. A opção é dela. A vida é dela, e eu recomendo firmemente que ela tome as rédeas de sua vida em suas mãos e viva como bem entender.

Kepler
Johannes Kepler

Outra pergunta que me foi feita é se o mapa assinala a morte. Aí alguém poderia me perguntar, ainda se referindo a Kennedy: “E aí diz que ele ia morrer assassinado?”. O mapa natal não tem assinatura de morte física, violenta ou não. Até pode-se falar que os trânsitos de Plutão e Marte (os dois maléficos) são indicadores, mas eu sinceramente não interpreto isso, só as mortes simbólicas. Sei que isso pode causar controvérsias, mas não interpreto “mortes” porque a Astrologia que procuro praticar tem por objetivo o autoconhecimento da pessoa. Neste contexto, as mortes simbólicas são mudanças pelas quais todos nós passamos, como lutos, perdas e renascimentos.

As pessoas que consultam ou escutam astrólogos buscam seus próprios caminhos internos, e nisso a Astrologia pode ajudar muito. Embora hoje celebridades e políticos não gostem de admitir que recorram à Astrologia, muitos deles fazem isso. O pai da Mecânica Celeste, Johannes Kepler, dedicou-se à atividade astrológica como meio de sobrevivência e também por motivos religiosos. Ao publicar seu primeiro livro sobre o movimento dos astros, “O mistério cosmográfico”, Kepler acreditava ter revelado o plano geométrico de Deus nos céus. Mais tarde, já envolvido em observações astronômicas, Kepler ainda aconselhava astrologicamente o rei da Boemia, Rodolfo II.

O uso da Astrologia obviamente mudou nestes últimos quatro séculos, mas ela continua fazendo o mesmo há 6 mil anos: iluminando o caminho para que trilhemos com nossas próprias pernas. Não acredite que sua vida está determinada, pois ela não está. Não é a Astrologia que vai fazer isso.

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