O centauro retrocede para melhorarmos

Pode ser novidade para alguns, mas asteroide também anda para trás. E nesta semana um asteroide importante também vai entrar em movimento retrógrado. Quíron, o Curador Ferido, estará andando para trás entre 5 de julho e 9 de dezembro. Como asteroide, Quíron teoricamente não tem tanto impacto quanto um planeta, mas eu descobri que essa teoria é furada. Na hora da dor, quem aguenta o rojão é Quíron. Portanto, é bom olharmos o que acontece quando este centauro anda para trás. Prepara, porque vai ter textão, sim.

Peter_Paul_Rubens_-_Achilles_Educated_by_the_Centaur_Chiron_-_1635
Quíron, professor e médico, ensina Aquiles na obra de Peter Paul Rubens (1635), já em domínio público

É bom entender por que Quíron fica metade do ano em movimento retrógrado. O asteroide orbita ente Saturno e Urano, num movimento muito irregular. Ele passa muito mais tempo em Áries e Peixes do que em quaisquer outros signos. Por isso, na real, até ele cessar o movimento de diminuir a velocidade, parar e virar para trás (e depois para frente), já estaremos em 2020! É tempo demais para não prestarmos atenção ou tirarmos proveito deste movimento.

Quem acompanha o blog sabe que já declarei meu amor a Quíron várias vezes. O significado e a mitologia deste centauro me fascinam muito. Mas, como meu mapa pessoal é bem aterrado, admiro muito a praticidade deste asteroide. Trabalhar com Quíron é gratificante porque ele vai direto ao ponto, precisamente onde dói. Como astróloga, atendo muitas pessoas que estão sofrendo, passando por períodos difíceis ou crises pessoais. Quíron nunca me decepcionou ao detectar a ferida e a chance de cura.

Por isso é que dá para dizer que, logo de cara, Quíron retrógrado é bom para introspecção e reavaliação de programas de saúde mental e física em nossas vidas. Nós tendemos a procurar por mudanças que promovam a nossa cura, a nossa reabilitação e reintegração. A mitologia de Quíron nos lembra que ele é, antes de tudo, um professor e um médico. Ele nos traz lições a aprender e remédios para a nossa cura.

Quando qualquer astro se mexe no céu e faz algum ângulo com um planeta em nosso mapa natal, acontece o chamado trânsito. É uma influência pessoal, que tem duração temporária. Isso não quer dizer que seja “um passeio” no parque. Isso tende a ser muito real com as duras lições de Plutão e Saturno, mas nosso centauro também não fica atrás. Aliás, a literatura a respeito de Quíron é enfática sobre a profundidade da dor e também sua relação com eventos cármicos. Normalmente, todo movimento retrógrado tem uma interpretação na Astrologia Cármica, e com Quíron isso é duplamente verdadeiro.

Durante um trânsito de Quíron, podemos nos sentir em uma experiência bem dolorosa. Muitas vezes parece que uma ferida nova está aparecendo, que estamos sendo abertos e nossas entranhas expostas feito peixes no mercado. Mas, se conseguirmos examinar isso mais profundamente, descobriremos que esta ferida nos lembra de algo igualmente doloroso do passado e que o passado surgiu para se misturar com o presente.

Vamos experimentar ambas feridas ao mesmo tempo, mas isso pode não ser aparente até que olhemos profundamente (muito profundamente) para a situação. Para nos tornarmos totalmente presentes novamente, precisamos de cura, e é por isso que Quíron aparece no nosso céu pessoal: para nos trazer a consciência de que precisamos nos curar.

E ele também retorna, gente!

O objetivo de Quíron é restaurar a integridade – Quíron reconecta as coisas que foram separadas ou quebradas, para que possam ser consertadas e, finalmente, reintegradas umas às outras. Quando isso acontece em sua psique, alguns chamam de recuperação da alma, mas Quíron também pode consertar lares desfeitos (Lua), reputação quebrada (Saturno) fé perdida (Netuno, Júpiter) ou relacionamentos rompidos (Vênus). Para fazer isso, Quíron deve nos lembrar do tempo anterior em que a coisa foi quebrada, então a cura pode acontecer. A beleza disso é que, se permitirmos que a dor aconteça em vez de combatê-la, poderemos sair mais completos, mais integrados, mais inteiros naquela área do que jamais estivemos antes.

Um dos trânsitos de Quíron mais importantes é o Retorno, que é quando Quíron retorna para o exato ponto onde ele estava no momento de nosso nascimento, depois de viajar por todo o Zodíaco. Isso acontece com todo mundo no ano em que completamos 50 anos. Isso pode explicar por que o 50º aniversário tende a marcar uma idade agridoce, uma mistura de balanço de nossas conquistas com nossos mais profundos arrependimentos.

Ian_Anderson_at Burg_Herzberg_Festival_Sven Mandel CC-BY-SA-4.0
Ian Anderson toca no Burg Herzberg Festival em 2017 (Sven Mandel/ CC-BY-SA-4.0.)

É um mergulho muito mais profundo do que o Retorno de Saturno porque nos atinge no lado espiritual. Aos 50 anos, deixamos de ser crianças em busca de conquistas materiais ou emocionais, mas também não estamos velhos e idosos para contemplar a finitude da vida. Mas ainda assim, sabemos que estamos mais perto da morte do que aos 30 ou 40 anos. É uma ponte entre o material (físico = Saturno) e o espiritual (transcendente -= Urano), pois Quíron orbita entre estes dois planetas. Aos 50, muita gente entra para alguma igreja, começa a praticar ioga ou mindfulness, descobre seu lado mais místico, entra para alguma seita. Ou entra em crise profunda, com ou sem doença inesperada: Michael Jackson, Chris Cornell, Kate Spade, Vander Lee…

Curiosidade: Quando estava perto dos 40 anos, o vocalista do Jethro Tull, Ian Anderson (hoje com 70 anos e ainda superligado nos paranauê), escreveu uma música chamada “Too Old For Rock and Roll And Too Young to Die”, que pode ser traduzida mais ou menos como “Velho Demais para o Rock, e Jovem Demais para Morrer”. O título desta música é muito a cara do Retorno de Quíron.

Já atendi este ano pelo menos dois clientes com retorno de Quíron (em Peixes e Áries). Um deles, no meio do ciclo (justamente pelo efeito retrógrado deste asteroide), já sentiu a primeira passada, e aí me procurou para ver o mapa. Deixa eu explicar como será a coisa para este cliente – e para todos nós.

No momento, Quíron está em Áries, e começa a viajar para trás a 27 graus de Peixes, se vira direto e volta a entrar em Áries novamente, terminando o período no início de 2020. Será bom verificar no mapa astral, porque esse remelexo todo pode mexer com muita gente. Pegue o mapa e acompanhe comigo, porque muita gente vai ser diretamente afetada.

– Qualquer pessoa que tiver qualquer planeta entre 27 graus de Peixes a 28 graus de Áries, vai viver um trânsito de Quíron com relação a esse planeta.

– Como Quíron em Peixes forma um aspecto desafiador a Virgem, Gêmeos e Sagitário, quem tiver qualquer planeta em 27 a 29 graus de qualquer um desses signos, esse planeta também está tendo um trânsito de Quíron.

– Já Quíron em Áries forma um aspecto desafiador para Câncer, Libra e Capricórnio. Então, quem tiver qualquer planeta em 0 a 2 graus de qualquer um desses signos, esse planeta também está tendo um trânsito Quíron.

Sassinhora, eu tenho planetas aí!! Como lidar?

Em primeiro lugar, calma. Não é o fim do mundo. Mas entenda que haverá dor. Aí o melhor será dar as boas-vindas ao desconforto. Abraça os braços como faria com um velho amigo. “A dor é uma velha amiga”, disse o dr. Stephen Strange. Devemos entender que alguma parte em nós ou em nossa vida está pronta para ser restaurada. O convite a esta dor é tão importante que é como um convidado na nossa mesa.

Perguntemos: “Como esta parte de mim foi cortada em primeiro lugar? E o que eu estava perdendo de mim como resultado desse corte?” Não é para reprimir a dor. Se estivemos escondendo, sufocando ou reprimindo esta dor, é hora de soltar. Na verdade, devemos realmente soltar a dor, entrar em contato com ela e deixar ela acontecer.

Prestemos atenção em nós mesmos, porque os trânsitos de Quíron podem ser acompanhados por doenças físicas. Então é hora de cuidarmos especialmente bem de nossa saúde. Recados de Quíron podem vir pelo corpo; o corpo pode estar tentando nos dizer algo e qualquer doença que experimentarmos pode ter um significado mais profundo do que parece. Olhemos os mapas, vejamos os planetas e suas correspondências no corpo. Devemos entender também que talvez o coleguinha a nosso lado esteja vivendo um trânsito de Quíron. Devemos dar empatia, conforto e ajuda – não crítica e ainda mais dor.

A dor, a doença, o sofrimento e a cura fazem parte de um processo. Devemos nos dar conta de que o processo tem seu próprio tempo e seu próprio cronograma. Como tudo na vida, ele também tem um fim. Como professor que é, Quíron nos trouxe uma lição. Ao passarmos de ano, ao fim do aprendizado doloroso, seremos pessoas maiores, porque teremos mais partes de nós integradas. E também teremos mais acesso a partes de nós mesmos do que antes.

Será, como gostam de dizer os descolados, a nossa versão muito melhor que a anterior.

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